sábado, 26 de outubro de 2013

Itã: Oxum Opará e Oyá.



Vivia Oxum no palácio em Ijimu, passava os dias no seu quarto olhando em seus espelhos, que eram conchas polidas onde apreciava sua imagem bela.

Um dia saiu Oxum do quarto e deixou a porta aberta, sua irmã Oyá entrou no aposento, extasiou-se com aquele mundo de espelhos, viu-se neles.

As conchas fizeram uma espantosa revelação a Oyá, disseram que ela era linda! A mais bela! A mais bonita de todas as mulheres! Oyá descobriu sua beleza nos espelhos de Oxum e se encantou, mas também se assustou: era ela mais bonita que Oxum, a Bela.

Tão feliz ficou que contou do seu achado a todo mundo, e Oxum remoeu amarga inveja, já que não era mais a mais bela das mulheres e resolveu se vingar. Oxum amaldiçoou todos os seus espelhos, para que só mostrassem a morte, a imagem horrível de tudo o que é feio e convidou Oyá para admirar-se mais uma vez em seu quarto.
 Oyá entrou no quarto e não se deu conta da armadilha, então, Oxum a trancou pelo lado de fora. Quando a bela guerreira se olhou no espelho, entrou em desespero. assustada tentou fugir, mas era impossível, estava presa com sua terrível imagem, correu pelo quarto em desespero, atirou-se no chão, bateu a cabeça nas paredes, enlouquecendo e deixando este mundo.

Obatalá, que a tudo assistia, repreendeu Oxum e transformou Oyá em orixá, também decidiu que a imagem de Oyá nunca seria esquecida por Oxum. Condenando a mais vaidosa das iyabás a se vestir para sempre com as cores e parmentas usadas por Oyá.

Itã: A rivalidade de Obá e Oxum.



   Obá vivia em companhia de Oxum e Iansã, no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado rei entre as duas iyabás.
 
   Obá percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Obá resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, vez que Iansã, andava sempre com o rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obá era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô. 

   Oxum, maliciosa e esperta, falou que seu segredo estava no modo em que prepararava o amalá para Xangô, uma de suas comidas favoritas. Obá, ingênua,  escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava,  sendo que por fim, Oxum que sempre usava belos panos amarrados em sua cabeça, falou que além de tudo isso, sempre cortava um pedaço de sua orelha e colocava na mistura do amalá, tal feitiço que a fazia ser uma das preferidas de Xangô. 

   Obá agradeceu a sinceridade de Oxum e saiu para fazer um amalá em louvor ao rei, enquanto Oxum, ria da ingenuidade de Obá que, sempre atenta a tudo, não percebeu que Oxum mentira, pois ela encontrava-se com suas duas orelhas, e falará isso somente para debochar de Obá. 

   Obá em grande sinal de amor pelo seu rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor. Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obá na mistura, e esbravejou e gritou. 

   Oxum e Obá, apavoradas, fugiram e se transformaram em dois rios que levam os seus nomes. No local de confluência dos dois cursos de água, as ondas tornam-se muito agitadas em consequência da disputa entre as duas divindades.

Adjá.



   O adjá (adjarí ou adjarím) é um instrumento de metal, formado de uma, duas ou três sinetas, com badalos. Pode ser confeccionado em alumínio, ferro, folha de flandres, cobre ou latão dourado. Instrumento do povo iorubá, foi também aceito e incorporado às demais nações-irmãs.
Dependendo do material com o qual é confeccionado, identifica-se logo para qual orixá está sendo destinado. Para Exu e Ogum são consagrados os de ferro; em material dourado são dedicados para Oxum, Logunedé; os prateados, para orixás funfun e Iemanjá; os de cobre são usados pra Xangô, Iansã etc.

   Instrumento participante de variadas liturgias, sinaliza que quem o utiliza é pessoa com poder de autoridade e graduação dentro da religião. É muito utilizado para convocar os orixás, que imediatamente respondem ao seu som encantador, quase mágico. Possuidor de grande força e poder, ajuda a movimentar o axé dos terreiros. O adjá é tocado também nos momentos das oferendas, nas cerimônias, privadas ou públicas, na condução e no manejo das divindades, nos momentos das danças e no terreiro. Faz parte também do paó, conjunto de palmas cadenciadas, muito executado nos momentos cerimoniais. O adjá faz parte do dia-a-dia de qualquer casa de candomblé, seja qual for a nação, pois ele promove a ligação das pessoas com as divindades.

   Na umbanda o adjá não é utilizado, porque se trata de um instrumento de uso exclusivo do culto candomblecista, neste caso é substituído pela sineta.  

Iemanjá.


    Divindade iorubana, Iemanjá (Iémójá) é cultuada pelo povo Egbá, grupo étnico da Nigéria, que se encontra localizado perto da cidade mítica de Ifé. Neste local é reverenciada e recebe seus presentes num rio que leva seu nome. No passado, com as guerras intertribais, esse povo precisou transferir-se para outro lugar e instalou-se em Abeokutá, também na Nigéria, onde continuou a fazer o seu culto a Iemanjá, em um dos fluentes de um rio que corta essa cidade, chamado Ògùn.

  Abê é o vodum feminino que tem mais semelhanças com Iemanjá, na nação Fon. A “grande mãe” e a divindade das águas salgadas, para os bantus, é Kaitumbé ou Ndandalunda.


   No Brasil, Iemanjá transformou-se na “senhora dos mares”, talvez devido à grandeza oceânica de nosso país, mas é também a rainha dos lagos, das lagoas e da junção do rio com o mar – daí o ser chamada de odô-iyá (odò ìyá), “a mãe dos rios”. Pode-se dizer que onde existir água, Iemanjá reinará! Por estar presente em quase todas as águas, ela acolhe e protege também os seus habitantes, advindo daí o seu nome Yeyê omó ejá (Yèyè ómó ejá), “mãe dos filhos peixes”.


   Reconhecida como a “mãe de todos os orixás”, recebe e acolhe com amor mesmo os que não foram gerados por ela, mas que foram entregues a seus cuidados. Sua premissa principal é o poder e o título que lhe foram concedidos por Olorum, o de “mãe de todas as cabeças” (iyá ori). Este título tornou-a responsável pelo equilíbrio emocional, psicológico e espiritual do ser humano, provendo o homem da harmonia necessária para ter uma boa existência e convivência no aiê. Juntamente com Babá Ajalá, Obatalá considerado o “pai de todas as cabeças” (babá ori), é reverenciada na cerimônia do Borí.


   Sua importância é tão grande que todos os iniciados, mesmo aqueles que não a têm como seu orixá principal, possuem uma ligação especial com ela, pois ao ser considerada a mãe de todos os orixás, torna-se avó de todos! E todas as pessoas iniciadas no candomblé, em um período de sua evolução religiosa, terão que assentar Iemanjá porque ela faz parte da corte dos orixás que reinam em todas as cabeças. Assim, ninguém merece mais do que ela o poderoso título de a “Grande Mãe” (Nlá Yágbá)!


   Iemanjá representa a água que refresca e dá vida à terra, que ajuda na procriação e na geração dos novos seres. A água que apascenta, que acalma; a que cai do orum e depois a ele retorna, para descer novamente em forma de chuva – a “água divina e sagrada” de Olorum.


   Como representação feminina, é primeiramente a mulher bonita, mas é também filha, mãe e esposa, símbolo mítico do papel inerente a todas as mulheres. Em uma outra fase, é guerreira, batalhadora, conquistadora e se transforma, quando necessário, em amante ardorosa, meiga e sensual. 

   Quando associada aos rios, Iemanjá mantém relacionamento com a agricultura, que precisa da água para subsistir e produzir, o que a aproxima de orixá Okô, o “patrono da agricultura”. Na parte da agricultura, interliga-se também com a colheita, principalmente a dos novos inhames, prato predileto de Oxaguiã, seu filho mítico.


   No oceano, Iemanjá controla as marés através das fases da Lua e com a força do vento, que agita suas águas e faz com que elas se mostrem ora calmas, ora tenebrosas e temerárias. Em alguns momentos, tornam-se destrutivas, mas Iemanjá procura abrandá-las, propiciando aos pescadores abundância e variedade de alimentos para sua sobrevivência e seu custeio. É nas profundezas do mar que ela guarda suas riquezas e suas jóias, reinando com seu pai, Babá Olocum!


   Nas lagoas e nos lagos, dentro de grandes florestas, interage com seus outros filhos que regem o comércio: são caçadores, pescadores, agricultores, guerreiros e guerreiras incansáveis, magos poderosos, grandes feiticeiras. Relaciona-se então com Babá Ajê Xaluga, Oxóssi, Ossâim, Logunedé, Ogum, Iroco, Oxumarê, Oxum, Iewá, Obá, e interage em suas variadas funções! Em uma forma mais idosa, a de Iyamí, tem relacionamento mais aprofundado com Logunedé, Ossâim e Oxóssi, obtendo deles conhecimentos e segredos  das folhas e das árvores para suas magias e encantamentos. Como participante do grupo das Iyamís, Iemanjá está incluída no seleto grupo das veneráveis Grandes Mães, relacionando-se também com os Oxôs, os grandes feiticeiros das matas. Dentre estas mães, liga-se com Oxum, sua filha mais bela, que possui o controle sobre as águas doces e as cachoeiras, conhecida como a grande “Senhora dos Feitiços”!


   Em territórios iorubas, essas mães-velhas encabeçam também a Sociedade Geledê, exclusiva das mulheres. Essa sociedade tornou-se muito restrita no Brasil, talvez ainda existindo nos recônditos do país. Mas essas Iyás velhas e poderosas são constantemente lembradas, saudadas e cultuadas nos nossos rituais, principalmente no Ipadê de Exu.


   Iemanjá protege os recém-nascidos, inclusive os abicus, aqueles que já vêm para o aiê com uma data predeterminada entre eles para voltar ao orum. Como mãe-protetora, apazigua-os e tenta modificar essa situação, através de vários rituais, afastando-os e defendendo-os da morte (iku), ligando-se assim com Oiá, a mãe dos “filhos-abicus”. Outra grande mãe, Iamassê Malê, da família de Iemanjá, é a mãe de Xangô, o orixá que faz surgir do fundo do mar o fogo, em forma de vulcão, demonstrando a possibilidade de união de dois elementos da natureza tão poderosos. É Iemanjá abrandando com suas águas o furor de Xangô! E Xangô paparica, reverencia e idolatra essa mãe, dançando com ela, e para ela, em suas festas!


   Através de Nanã, Iemanjá conheceu e adotou Obaluaiê, abandonado por esta sagrada “avó” da religião. Criado e tratado por Iemanjá de seus males corporais, de suas feridas, ele respeita sua verdadeira mãe, mas idolatra e venera a “senhora dos mares” e sua grande protetora. Para fazer-lhe um mimo e agradá-lo, numa forma de diminuir e reparar seu sofrimento, Iemanjá colocou Obaluaiê para descansar e dormir em uma cama feita com pérolas e fios de palha-da-costa! É  mãe acalentando seu filho, ajudando-o a se sentir melhor e ensinando-o como dividir suas posses e seu poder!


   Ligada à procriação e à gestação, Iemanjá possui uma grande relação com os orixás funfuns. Esse relacionamento é visualizado através da união indissolúvel de Obatalá com Yemowo, divindade funfun do grupo de Iemanjá. Talvez este seja o único casal a praticar a monogamia dentro dos grupos de orixás! Pois Iemanjá é uma iyabá que só aceita o sexo para procriação, negando-o como diversão e prazer. Partindo desta premissa pode-se entender porque ela considera uma afronta, um desrespeito gravíssimo, a prática do ato sexual na beira ou dentro de suas águas seja do mar, dos rios e até das lagoas. Até mesmo o simples ato de namorar nestes locais é para ela um agravo. E seus filhos, principalmente, não devem desagradá-la!


   Em alguns momentos aparenta ser uma velha, em outros, nova; às vezes é calma, ás vezes, irascível. Assim é Iemanjá! No seu panteão temos diversas divindades, com personalidades, características, gostos e formas diferenciadas de culto.


   Por reinar em vários tipos de água, Iemanjá tem a companhia de vários orixás que pertencem a elementos que se encontram próximo do seu. Sua ligação será muito grande com um tipo de Ogum, de Oxóssi, de Iroco ou de Ossâim que viva em faixas de matas ou florestas muito próximas ao mar, formando baías ou enseadas, cujas águas terão um tom esverdeado. Pelo reflexo das folhagens. Em alto-mar, em locais de menor profundidade, a água será de um azul-claro, ligando, então, Iemanjá com uma divindade do panteão de Orixalá. Nas enseadas perto de rochas minerais ou magmáticas, a água será escura. Neste local, Iemanjá está relacionada a uma qualidade de Ogum, de Xangô e de Exu. A partir destas informações, podemos visualizar o quanto Iemanjá está integrada, inserida e firmemente relacionada com todos os orixás!


   Embora goste de vestir-se de branco, Iemanjá aceita também cortes bem clarinhas. Em algumas casas usa camisu, saia, pano-da-costa, ojá amarrado no peito, com laço para frente, e outro ojá na cabeça, com laçarote para trás. Usa adê com “chorão”, com contas de cristal. O cristal transparente usado em seu fio-de-contas representa os elementos ar e água. Em suas danças, faz movimentos com as mãos semelhantes às ondas do mar. Segura na mão direita seu alfanje e, na esquerda, o abebé geralmente feito de metal prateado, substituído às vezes por um leque feito de conchas. O seu abebé ou o leque tem o formato circular, porque simboliza sua ligação com a barriga e com a gravidez, ingerências da mulher. Seu igbá é feito geralmente em uma tigela branca, rosa, azul ou verde, em tons claros. Alguns tipos de Iemanjá são assentados em gamela, como Iamassê Malê e Iyalujá (ou Iyalojá), a “senhora do xêre”.


   Gosta de receber seus presentes nas águas: perfumes, sabonetes, espelhos, bijuterias, jóias, artigos de toucador, água de cheiro, etc.,tudo que lembre o universo feminino! Também gosta que sejam enfeitados com fitas e flores, e também com alguns doces e frutas! Iemanjá gosta de ser mimada e admirada. Aprecia com carinho as pessoas que, ao pôr do Sol, caminham bem próximas à sua água, na areia molhada. Neste momento elas devem pedir sua ajuda e soluções, contando-lhe seus problemas! Faz bem jogar moedas no mar, para agradá-la, pedindo-lhe que retribua com prosperidade e riqueza.

Generalidades do orixá:

Como são chamados os seus filhos: Iemanjassi, iyá.

Dia da semana: Sábado.

Elementos: água e ar.

Símbolos: Abebé, leque e alfange.

Metal: Prata.

Cores: Branco, rosa, verde e azul-claro.

Folhas: Alfavaca, macaçá (catinga-de-mulata), capeba, etc.

Saudação: Odô fê iyabá (Odò fè ìyábá), (traduzido como “amada mãe do rio” ou “o rio ama a mãe”). Odô iyá (Odò iyá) (“mãe do rio”). Omi ô (“salve as águas”).

Seus filhos:

Os filhos e filhas de Iemanjá são pessoas muito protetoras e rigorosas, com tendências maternais. Tratam as pessoas como se estas dependessem de seus cuidados, exigindo em troca um tratamento do mesmo modo. Têm um senso de ordem muito grande e a hierarquização é para eles fundamental, pois faz parte da sua vida.

Instáveis, irritam-se facilmente quando desobedecidas em suas vontades. Preocupam-se com seu próximo e costumam ser generosos com quem gostam, ou quando é de seu interesse. Alguns são traiçoeiros, como o mar de Iemanjá, e conseguem enganar as pessoas com seus sorrisos francos e abertos! Voluntários, conhecem sua importância no grupo em que se inserem, dando suporte e auxiliando naquilo que for necessário. Não costumam ser vaidosos, mas gostam do que é belo e útil, apreciando uma vida confortável, sem extravagância. Testam as amizades, fazendo-as revelarem realmente quem são, procurando encontrar pontos fracos que possam desestabilizar a relação. Se isso ocorrer, os filhos de Iemanjá dificilmente darão o perdão; a amizade poderá continuar, mas o deslize não será esquecido! No geral, são pessoas de bom coração, sempre dispostas a ajudar o seu semelhante.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Adim.

O adim (ou aláàdí) é um óleo branco extraído da amêndoa interna do caroço de dendê. É um substituto do azeite-de-dendê nas iguarias para Orixalá, sendo renegado por Exu. Assim como o azeite-de-oliva, está inserido nos elementos ditos “frios”, pertencendo à cor branca.

Azeite-de-oliva.



É um produto participativo das substâncias chamadas brancas, pertencendo aos elementos frios, tidos como aqueles que acalmam e apaziguam. O azeite-de-oliva (epô funfun, para os iorubas e mazi, para a nação bantu) é muito utilizado nas comidas dos orixás funfuns.